Por sentir vergonha quando estou numa roda com muitas pessoas eu falo pouco, em geral nada, e acabo observando cada pessoa detalhadamente. No jeito como o rosto da pessoa se mexe enquanto ela fala e nas expressões em cada frase. No modo como elas olham umas para as outras e como dão risadas. Na minha cabeça explodem frases e pensamentos sobre cada uma das pessoas falantes ao meu redor e as vezes me pego rindo ou olhando de cara feia para a pessoa sem perceber. Eu gosto disso, gosto desse meu lado observador. Presto atenção em cada palavra que sai de cada boca, em cada som e em cada gesto.
Que eu tenho que diminuir a vergonha isso é fato mas talvez não seja uma boa idéia diminuir tanto.
No mundo virtual eu falo mais, brinco mais, chego a ser engraçada. Não entendo porque que mesmo depois de meses e meses conversando com pessoas apenas pela internet, pessoas que sabem exatamente como eu sou, quando a vejo pessoalmente eu travo. Não consigo falar, não faço movimentos bruscos, não rio... Isso me irrita. E isso me faz pensar no quanto eu tenho que mudar.
Todo mundo reclama tanto de morar sozinho, de estar sozinho, mas sozinho mesmo, de não ter mais ninguém ali para conversar e eu acho tão bom. Claro que me fechei mais ainda quando morei sozinha mas enfim, era bom chegar em casa e estar tudo como deixei, poder comer o que eu quiser sem me preocupar se a outra pessoa vai gostar e deixar a tv ligada em quanto ouço música no computador. Não que seja ruim morar com alguém, longe disso mas morar sozinho tem uma grande vantagem. Você se aproveita mais de você e se conhece melhor pois é obrigado a bater altos papos com a sua mente já que não tem mais ninguém ali.
Isso também me ajudou a ser tão observadora assim. Quanto mais em silencio fico, mas presto atenção nas coisas ao meu redor.
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