segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Hoje eu parei pra olhar o jardim de casa, lembrar de tudo que já fiz por entre essas árvores. Eu tenho essa cara de metida e ser nojenta assim de não gostar mais de por o pé na terra mas eu não fui sempre assim não... Estava lembrando hoje, das corridas com a Tina, eu segurando um lado da mangueira e ela com a boca no outro íamos de um canto ao outro da casa correndo até cansar e cair as duas deitadas na grama, ela a me lamber e sujar minha roupa. Lembrei das brincadeiras e da imaginação que não tinha fim. Dos tempos de "Unidade Feminista Brasileira", eu e a Low, e a mesa em cima do portão para olhar a rua e nos defender da "snpr"... nem sabíamos o que significava feminista. Acabo de lembrar de uma coisa, estávamos sentadas nas nossas cadeirinhas de plástico em cima do portão olhando pra rua quando chega um mendigo e pergunta pra gente lá do chão "vocês são as meninas que eu encontrei no rj?" e nos conta como ele foi parar no rj, com um pedaço de pão e acabou se encontrando com alguma dupla de sertanejo com a qual ele tirou uma foto. Foi no show da tal dupla que ele nos viu...
Lembro também de subir nas árvores e pular o muro. Lembro do velhinho que me ajudou a pular o muro pra dentro de casa quando fiquei presa pra fora. Das brincadeiras na piscina, ficar o dia todo dentro d'água até minha mãe aparecer com uma bandeja de bolo de chocolate e coca-cola. Ficar na água até as mãos e pés ficarem enrugados e ver os desenhos nos azulejos do fundo da piscina que inventávamos. Dos gatos imaginários, sim eu tinha um gato imaginário. Se chamava Harry e era preto e branco! Dos mapas para o condomínio. De entrar em casas em construção e chegar até o segundo andar sem passar pela a escada.
O casamento dos coelhos, com bolo, véu e festa. Dos bonecos de batata. Das cidades de "toquinho", dos buracos na fazenda, dos cavalos ah os cavalos... Eu tinha um cavalo, Trovão o nome dele. Inteiro branco e enorme de grande. Das corridas de bicicleta na "quadra vermelha", de almoçar com roller no pé (minha mãe ficava louca). Sandy e Junior enquanto arrumava o quarto. Fingir ser professora, de história sempre. Ser dona de loja e colocar preço em todos os brinquedos do quarto. Tirava tudo, tudo, colocava em cima de uma mesa lá fora e ia atender os clientes.
São tantas as histórias que seria impossível me lembrar de todas agora e mesmo que lembrasse não haveria espaço para todas elas. É tanta felicidade, tanta coisa boa que não cabe em mim isso tudo. O coração parece crescer enquanto lembro de cada detalhe. O coração parece diminuir, diminuir tanto até sumir... de saudades.

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